terça-feira, 23 de junho de 2009

Dois sonhadores, dois artistas, dois amantes


Escolhas vãs e sem sentido... Na última hora destruo tudo que me deixa vivo... A boca necessita de carinho, os pelos de contato a outros pelos que não o seu, a sede e a vontade de transcender a realidade, boca e língua, pele e pelo, pelo e pele, o amor misturando-se a névoa branda e branca de sincera poesia, palavras gentis, um sorriso no meio da noite buscando calor junto a lencóis quentes e quentes de paixão, o toque na face submergindo o desejo, a volúpia e palavras, versos contidos de choro e felicidade e a eternidade ali presente na alcova onde dois corações se batem e se entregam e se abraçam e se beijam e se molestam e se lambem e se sondam e se desejam sem pudor como se fosse a última, a última vez, a última tentativa de ser feliz; a Morte presente e o acaso se enlaçando em sua cauda de orgasmo prestes a desaparecer no nada...

Tudo foi perfeito e é perfeito... estive em contato com a paz... a paz que tanto busquei em minha vida... seja nos livros, nos bares, igrejas, em contato com a multidão ou no silêncio do meu quarto... estive a um passo da Morte, por incrivel que pareça... o poeta buscando no burburinho da noite, na loucura do caos afim que acalentar o coração já tão maltratado e usado de formas erradas e sem sentido... Eis que você me aparece, tímida e ousada... com seus versos e sua poesia e sua fala sem igual... Você... Só você com esse sorriso que me encantou e sua pele que me esquentou naquelas madrugadas frias e serenas... é... você me apareceu e eu (anjo torto e decaído de toda moral) não aceitei a felicidade e a paz de espírito que enfim alcancei...

Caminharei na neblina, sozinho e desprovido de fé; caminharei descalço com o dorso encurvado roubando versos vazios no Nada, olhando a paisagem, os automóveis, as pessoas, os passarinhos com suas asas abertas voando na imensidão do céu pintado de um azul celeste, divino mas no fundo nada verei... só o seu sorriso e sua boca... seu rosto que tanto acareciei nessas noites que tanto menciono e não esqueço... nunca esqueço... Fujo da felicidade e do amor... Sempre fugi e parece que assim farei até o fim dos meus dias... enfrentando dores, loucuras, noites mau dormidas, luzes, brilhos de bares e páginas sem sentido de poesias sem sentido de versos sem sentido de palavras sem sentido de olhares sem sentido...


Nós dois, "dois sonhadores, artistas, e amantes se completavam como pão e vinho", se completavam, unidos como um só, uma alma e um corpo suspensos numa nuvem de amor e carinho... Você só me fez bem... Guardarei cravado na minha alma, no meu coração e na minha pele você... Nunca esquecerei de você... foi bom... ficou a dor, a saudade... Não sei viver com a felicidade completa... sou um vaso despedaçado no chão dividido em infinitos pedaços... um anjo decaído, um tumor alojado e esquecido, sou angústiva viva e vivo os instantes rápidos de sentimentos, sou um mau rimador, alguém que não reconhece o quanto é bom viver na ventura, abraçado na boca desnuda de emoção...
Perdoe minha decisão (ainda tão confusa)... Perdoe eu não ser o cara que você tanto sonhou... Perdoe meus defeitos tão graves e complexos... Minha falta de carinho como mereces... Perdoe eu não cumprir minhas promessas...

Nunca te esquecerei... Não consigo te esquecer...
Mas é estranho... não sei se a solidão me fascina ou fascina a dor? O medo de não possuir a liberdade...
A vida vem me prendendo loucamente como um demônio em fúria... Seja nos dias presos na casa de parentes preso sobre chantagem usando outra pessoa (enferma) que morreria com meu ato... Seja num emprego insustentável... Seja em mim mesmo... E esse medo (que antes não revelei a ninguém e aqui revelo a todos) creio que me destruirá... Com uma garrafa de vinho parece que roubo a eternidade... Ficar "careta" o tempo todo me assusta... Com você, querida, roubava o infinito... nossos corpos entrelaçados seguiam um ritmo único... suores soturnos na madrugada insana...

Li hoje um texto do Carlos Drummond de Andrade que diz algo que me fez pensar muito:

"Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por
alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida.
Se os olhares se cruzarem e, neste momento houver o mesmo brilho intenso entre
eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que
nasceu.
Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo apaixonante, e os olhos se encherem
d' água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.
Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de
ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus mandou um presente:
o Amor.

Por isso, preste atenção nos sinais - não deixe que as loucuras do dia-a-dia o
deixem cego para a melhor coisa da vida: O AMOR."




Obrigado por fazer parte da minha vida!
Você sempre será a mulher mais importante da minha vida!
Quero consertar meus erros, defeitos e aprender a aceitar a felicidade
que não bate (infelizmente) duas vezes na mesma porta...
Infelizmente...

Perdido em pensamentos


A inutilidade da vida...
Morto e ferido, o flanco aberto
cabeça baixa... pensamentos sem nexo... não olhe!
Tudo não passa de uma grande merda!

Me sinto derrotado, filho bastardo
sendo comido pelo próprio pai
como um prato, o melhor prato
da última ceia que festejavam minha ausência.

Não tenho vontade, futuro, presente
só um passado vivo, feliz, latente
sou uma puta comendo restos de pensamentos
um barco à deriva, um fantasma
perdido e esquecido no letes do esquecimento.

Sou angústia viva e vivo exclusivamento
os restos podres de sentimentos.
Sou um mau rimador, um anjo ferido
um tumor alojado e esquecido
alguém que nem reconhece os próprios inimigos.

Sou eu comendo meu pai, molestando minha dor
sou feito fera sem garras
um homem sem carne, um ventre abortado
um funcionário vivendo sua vida estúpida
um profeta embreagado, um anjo endemoniado.

Sou um salário bom na boca puta do sarcasmo.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Ana e Carolina

Eram duas meninas.
Uma de pele lisa, outra de olhos cristalinos.
Uma delas, a mais gordinha,
pediu para que a outra levantasse a saia.

Sem hesitar, a menina de traços
alongados como nas mãos de Modigliani.
Peitos fartos, olhos quentes
foi lambendo longo na insânia

o ardor dos desejos intransigentes.
Elas eram mesmo duas sapequinhas.
Uma fazia aula de educação-física.

A outra estava no 1º ano ainda.
Enquanto isso da janela do meu quarto
olhava tudo atento como quem não vê nada.

sábado, 13 de junho de 2009

Ao poeta interior

Ao poeta que angustia o altar da dor
tonto e enegrecido de nostalgia.
Aos olhos mudos mergulhados no mar.
Ao grito revestido de tristeza e alegria.

É isso que trago em minha poesia.
Um Nada imenso perdido no caminho.
Mistérios de angústia e amor
aos abraços enlouquecidos de carinho.

É isso que arranco da poesia.
Mil versos emocionados e sem sentido.
Um barco naufragado no Vazio.

É isso que quero com minha poesia:
expulsar da minha alma toda minha vida
e roubar do acaso a sorte um dia.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Em meio ao caos


Olhos lindos e penetrantes como a noite.
Olhos de beleza e sensualidade, de brilho e luz.
Ontem te vi em meio ao caos.
Anjos suicidas sobrevoavam a paisagem úmida revestida
de um linho de prata rodeado de pássaros famintos
prenhe da luz que a lua torpe e sem sentido concebia.
Fazia frio, mas o frio que fazia atemorizava apenas
os soldados subalternos das madrugadas frívolas
e profetas tecendo a manhã direcionavam a vida a um único propósito
e eu em êxtase, divagando pelo movimento da noite
via apenas algo em minha frente...
Teu sorriso, teu sorriso, o sorriso mais lindo de todos.
E por mais que eu tentasse seguir um assunto, uma idéia
o que ficava mesmo era teu sorriso, teu lindo sorriso...
Tua boca e teus olhos, teu ser...
Abri os olhos sedento de calor e acordei.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Madrugada Infinita (anjos de volúpia mergulhados no inconsciente)


Vamos meu bem, mergulhar juntos
na inconsciência
lambendo nossos corpos
a noite nos tem como parentes.

Pegadas de sangue nas esquinas
matamos o passado para roubar o infinito
herdeiros do desconhecido
somos migalhas de um sonho fingido.

Brilha a lua no vazio
estrelas cintilantes, um desejo intenso...
Os postes permanecem acesos
acesos até o momento
que a lua nos ter por inteiro.

Sangue nos postes, nas ruas, nas esquinas
chuva de hemoglobina
somos dois astros em um
plainando num céu nada azul.

Mais um gole, um gole insano...
Bebendo em nossos corpos
a inconsciência nua
sem máscaras - o teatro da Morte.

E vamos juntos, bem juntos, meu bem,
um lambendo o outro
encaixados como dois animais
perdidos na inconsciência
naufragados na existência
abandonando a essência
aceitando ser apenas animais
orgásticos e sem pecados.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Malzdreams (Uma porrada na alma)


Aí segue-se um texto do zine Vertigem, fanzine idealizado por Dangelo Martins, Edérson da Silva Sobrinho, Jorginho A. Rocha e eu (Diego El Khouri), (agora com mais dois novos integrantes Ivan Silva e Vicente Junior).

http://zinevertigem.blogspot.com/

Malzdreams
(Uma porrada na alma)

As cordas vibram sinuosas no abismo. O ambiente tragado para dentro de um único som. Vozes sutis embalando o ruído ensurdecedor dos amplificadores impulsionados por quatro jovens de estilo "largado" e aparência transgressiava. Uma porrada na alma. Um grito no abismo. Um desvio na mente.

Ao ouvir cerca de trinta minutos o ensaio da banda Malzdreams fica submerso na cabeça um silêncio pungente e uma tremenda indagação: - Não entendi porra nenhuma! Que som é esse?! De onde surgiu essas músicas?! De que mente saiu essas melodias?!

A banda formada em 2005 passou por inúmeras fases, porém sem abandonar o projeto inicial: o bom e velho rock n'roll. De banda que só tocava covers como Metallica, Guns N' Roses, Nirvana à banda de estilo único e canções próprias. Uma música que remete ao som que se fazia nos anos 60/70 (dos grandes festivais como Woodstock) ao som underground da última década.

Outubro de 2008: a primeira porrada. Um mini-show realizado num trio elétrico em uma escola de Aparecida de Goiânia que fica a poucos quilômetros da capital. E que porrada diga-se de passagem! Ao lado de algumas bandas que vomitavam um hardcore niilista, as vezes calcado numa rebeldia artificial e uma consciência política forçada, Jorginho (vocalista, baixista), Ederson (guitarra base-solo), Charles (guitarra base-solo) e Ivan (bateria, flauta-doce) se apresentaram como verdadeiros "peixes fora d'água". Um rock pesado, porém um tanto melancólico para o ambiente. Isso se demonstrou ainda mais quando o vocalista em meio a uma música criticou duramente a desunião das bandas goianas. Ralmente uma porrada. Uma porrada na alma. E em meio as pessoas, sentado no chão observava tudo extasiado, quase em transe mediúnico. Era o primeiro show que via desses malucos. A primeira emoção... A primeira porrada. E como dizem a primeira vez a gente nunca esquece e numa tentativa consciente de filosofar o que via pensei: Puta que pariu! E foi só (...).

Um show conturbado. Os dirigentes do evento por falta de comunicação e principalmente organização não estavam deixando que Malzdreams tocasse aquela noite pois o tempo se esgotara e os diretores da escola não permitiriam que esses jovens cabeludos fizessem tanto barulho em um recinto educacional. Mas como o show de toda banda interessante que toca pela primeira vez fora de sua cidade, de seu ninho a bagunça é fudamental. O primeiro show dos Ramones por exemplo terminou em porrada. Os integrantes da banda se xingando, se golpeando e errando as músicas não tocando sequer uma canção completa.

Loucura e bagunça: isso é rock n'roll. "Segredo", o nome de uma de suas canções mostra exatamente o devaneio que fica na mente: "jovens tão 'largados' não são capazes de criar canções tão fantásticas como esta". Ouvi certa vez um idiota comentando isso. Já imaginaram a fusão de Alice in Chains (com seu vocal melancólico e assustador) e guitarras melódicas e violentas de bandas de hardrock como Guns N' Roses ao estilo heo-hippie de Blind Melon? Junção estranha né. Mas isso é Malzdreams: Atitude... Melodia... Plenitude... Poesia emocionada... Música com o coração... A certeza que a arte ainda existe e o resto é Morte.


http://www.myspace.com/malzdreams

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