Beijo-te vagarosamente...
Do pescoço até a ponta da orelha.
Minha língua penetra tua alma.
Tua alma chora de mansinho.
Vou eliminando adjetivos
perdendo-me em substantivos.
No mundo subjetivo minto
que é verdade o que não acredito.
Você diz que não quer.
Finge que não ouve. Bebo
alguns drinks numa sede sem nome.
Mas só você ouvi: o barulho das taças,
a batida descompassada do coração
numa triste festa cheia de graça.
terça-feira, 20 de outubro de 2009
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Meu querido poeta (A Antonin Artaud e seu Teatro do Horror)

Ó Antonin Artaud, tu és para mim
um anjo devasso, devasso de toda nobreza.
Embevecido em tua destreza
torna-me louco, bandido, profeta.
Que seu teatro se erga nos desvios
singulares poupados pela alma.
Sangue e vertigem (delírio). Ó tragédia
reina nos meus olhos tua beleza!
Ausente, mudo, nebuloso, fechado.
Ó grande solitário, grande porcaria.
Os dias passam! (carros em velocidade...)
Que seu teatro permaneça vivo assim como
Rimbaud, Verlaine, Drummond, Lautréamont,
sem que a paz cesse a voz do silêncio.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Sem título...
Choro, choro atrozmente
a melodia sublime da Morte.
Desesperadamente, ensandecidamente
choro exibindo na barriga mil cortes.
Com o falo ereto, a mente turva
poeta báquico sinto-me devassado
por essa visão chula que é o refúgio
que tenho para a vida futura.
Se punhetas bati, bati só por não estar aqui
o calor que a noite proclama
e a voluptuosidade que tua voz chama.
A chama queimando nossos corpos.
Minha boca úmida na tua nuca.
Lágrimas escorrendo do meu peito nu.
a melodia sublime da Morte.
Desesperadamente, ensandecidamente
choro exibindo na barriga mil cortes.
Com o falo ereto, a mente turva
poeta báquico sinto-me devassado
por essa visão chula que é o refúgio
que tenho para a vida futura.
Se punhetas bati, bati só por não estar aqui
o calor que a noite proclama
e a voluptuosidade que tua voz chama.
A chama queimando nossos corpos.
Minha boca úmida na tua nuca.
Lágrimas escorrendo do meu peito nu.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Luz torpe
Essa luz que se apresenta perene
e torpe é voz de Deus clamando o povo
que prove de seu amor e na dor
reivindique a ventura que o homem não pode.
Igual Kant me submeto a essa sorte.
Ser para os outros um fracote.
Levantar os muros da virtude
e se perder irremediavelmente na solitude.
Creio assim como os anjos nessa verdade.
Que o ser humano possui paz na maldade
e na bondade a dor inevitável.
Mas mesmo perdido no mundo de ilusões
como Platão prefiro ser amável
com quem cospe na minha cara e corta meus braços.
e torpe é voz de Deus clamando o povo
que prove de seu amor e na dor
reivindique a ventura que o homem não pode.
Igual Kant me submeto a essa sorte.
Ser para os outros um fracote.
Levantar os muros da virtude
e se perder irremediavelmente na solitude.
Creio assim como os anjos nessa verdade.
Que o ser humano possui paz na maldade
e na bondade a dor inevitável.
Mas mesmo perdido no mundo de ilusões
como Platão prefiro ser amável
com quem cospe na minha cara e corta meus braços.
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Confessional
Eu quero ser a Morte e a ferida.
O veneno e a vacina.
Em vez de curar cutucar a ferida
no lombo de Deus, em nome da anarquia.
Eu quero ser a angústia e o pecado.
Quem está de "cara" e quem está chapado.
Ser a dor em suas maiores gradações.
A flor imunda que alimenta nações.
Eu quero ser o filho e o espírito.
A puta e o puto cínico.
O síndico do inferno e também do paraíso.
Ser um escravo de um burocrata louco.
Entrelaçado na divindade, encaixado num porco.
... Mas na verdade sou isso tudo e mais um pouco ...
O veneno e a vacina.
Em vez de curar cutucar a ferida
no lombo de Deus, em nome da anarquia.
Eu quero ser a angústia e o pecado.
Quem está de "cara" e quem está chapado.
Ser a dor em suas maiores gradações.
A flor imunda que alimenta nações.
Eu quero ser o filho e o espírito.
A puta e o puto cínico.
O síndico do inferno e também do paraíso.
Ser um escravo de um burocrata louco.
Entrelaçado na divindade, encaixado num porco.
... Mas na verdade sou isso tudo e mais um pouco ...
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Deserto
"Eu quero cantar, falar besteira."
Mandar à merda quem diz que a tristeza
é o único caminho nessa pobre leveza
que mergulho dia após dia.
Num copo de uísque ou nos contornos
lascivos de tuas coxas gentis
é noite febril o que quero mesmo sabendo
que minha vida mergulha no deserto.
Meio marginal, meio isso, meio aquilo,
meio tudo e meio nada,
ser apenas uma alma apaixonada,
criança etérea que mija na boca
pungente dos deuses subalternos
que dizem que a vida é uma merda.
Mandar à merda quem diz que a tristeza
é o único caminho nessa pobre leveza
que mergulho dia após dia.
Num copo de uísque ou nos contornos
lascivos de tuas coxas gentis
é noite febril o que quero mesmo sabendo
que minha vida mergulha no deserto.
Meio marginal, meio isso, meio aquilo,
meio tudo e meio nada,
ser apenas uma alma apaixonada,
criança etérea que mija na boca
pungente dos deuses subalternos
que dizem que a vida é uma merda.
sábado, 12 de setembro de 2009
A poética da lambida suja
Vou-me embora. Sinto-me Vago.
Jean-Paul Sartre
Eu lambo sebo de dente.
Não importa se é branco ou quente.
Lambo como quem alçança o infinito
lambendo partículas de saliva e lombriga.
Poeta de bermuda e chinelo havaiana.
Quero antes a poesia suja
que tenha em seu bioma
versos de uma existência chula.
Amarram os braços e a poesia chupa
melindrosas reticências fúnebres
de quem acredita mas duvida.
Duvido em tudo que você me diz.
Se você quer e não quer
não quero nem saber, vou-me embora daqui.
Jean-Paul Sartre
Eu lambo sebo de dente.
Não importa se é branco ou quente.
Lambo como quem alçança o infinito
lambendo partículas de saliva e lombriga.
Poeta de bermuda e chinelo havaiana.
Quero antes a poesia suja
que tenha em seu bioma
versos de uma existência chula.
Amarram os braços e a poesia chupa
melindrosas reticências fúnebres
de quem acredita mas duvida.
Duvido em tudo que você me diz.
Se você quer e não quer
não quero nem saber, vou-me embora daqui.
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